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Aroma nada suave

  • Foto do escritor: Caneta Peregrina null
    Caneta Peregrina null
  • 20 de jan.
  • 2 min de leitura

Caro leitor, já teve a sensação de não estar sozinha, mesmo quando não há ninguém por perto? Essa história aconteceu comigo há alguns anos. Tínhamos acabado de nos mudar para uma casa nova, em um condomínio recém construído. Poucas casas estavam habitadas ainda. Minha filhinha estava pequena e meu marido saía para trabalhar de manhã e só voltava à noite. Certa manhã, tudo estava acontecendo como previsto. Acordei, antes de todos, tomei um banho, peguei o desodorante e percebi que precisaria de um frasco novo, então usei o do meu marido. Tomamos café juntos, ele entrou no carro enquanto eu a segurava no colo, nos despedimos e, então, ficamos a sós, minha bebê e eu. Voltamos para a sala com tudo em silêncio. Brincávamos divertidamente, eu fazia coceguinhas, mordia os pezinhos rechonchudos, enquanto ela ria às gargalhadas altas e gostosas. Foi quando senti o cheiro do meu marido. Esperei um pouco na expectativa de ele chegar perto de mim dizendo que esqueceu alguma coisa. Isso não aconteceu. Então, a expectativa des


apareceu junto com o cheiro. Dei de ombros e voltamos a brincar. Eu lia para ela no tapete confortável do chão, cantava, batia palmas e levantava seu corpinho enquanto ela balançava as perninhas alegremente. Foi quando o cheiro do meu marido entrou pelas minhas narinas, vívido e claro. Era o perfume do meu marido. Tinha certeza. Então levantei, fui até a rua e olhei para um lado e para o outro à procura de alguém passando, alguém que, por coincidência, usasse o mesmo perfume, mas a rua estava deserta e silenciosa. De onde vinha aquele cheiro? Era como se ele estivesse perto de mim. Mas o carro não estava em casa, meu marido não estava em casa, não havia ninguém perto de mim além da minha filha. Cheirei a minha filha à procura do odor intrigante, mas só tinha cheiro de bebê. Liguei para minha mãe, pentecostal com pitadas de superstição, que logo me recomendou fazer uma oração para Deus nos livrar de todo mal. Liguei para ele perguntando onde ele estava e, como de costum, ele estava no trabalho. Continuei realizando as tarefas domésticas sempre sentindo o cheiro do meu marido. Às vezes ele surgia mais forte, às vezes mais fraco, mas sempre ali, rondando. O receio tomou conta de mim, já era hora da soneca da tarde e o cheiro continuava rondando a casa. Tranquei todas as portas e janelas, me certifiquei de que tudo estava bem trancado e coloquei minha bebê no berço. Liguei a câmera e tranquei o quarto dela. Em seguida, fui ao banheiro para tomar um banho, o cheiro estava impregnado e mais forte ainda lá. Foi quando olhei o desodorante do meu esposo ainda destampado, pois eu tinha usado o rexona 72h dele.


 
 
 

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