Mãe e sacerdote
- Caneta Peregrina null
- 10 de mai.
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Mais ou menos em 31 de maio de 2023, uma mãe entrou em luta corporal com dois ladrões quando estes chegaram e tomaram de assalto o carro em que ela estava com o filho. Quando ela percebeu que eles não a deixariam pegar o filho, que estava na parte de trás do carro, ela começou a lutar, a segurar a porta do veículo, a lutar com o elemento, até que conseguiu tirar o filho do carro.
Em 1982, uma mãe se preparava para ir ao mercado enquanto o filho realizava um reparo no carro, foi quando ela ouviu um grito; correu e viu que o carro, de uma tonelada e meia, tinha caído em cima do rapaz. Desesperada, ela levantou o carro somente com a força do braço. Ela tinha 51 anos e 60 kg.
Há 10 anos, uma enchente encheu um profundo reservatório de água. Quando um garotinho de 7 anos caiu no reservatório, ele não sabia nadar, então ficou se debatendo, tentando boiar, e a mãe dele, sem hesitar, mesmo sem saber nadar, se jogou no reservatório, conseguiu alcançar o filhinho, se segurou nos fios e conseguiu sair.
Há alguns anos, outra mãe pulou no poço quando percebeu que seu bebê tinha caído nele. Na verdade, ela desceu pela corda, submergiu nas águas do poço e conseguiu pegar o bebê.
Por último, há cerca de 34 anos, uma mulher entrou no meio de uma manada de bois selvagens e conseguiu salvar a filhinha que ia ser pisoteada pelo gado.
O que essas histórias têm em comum? Todas são histórias de mães que não desistiram dos seus filhos, que, vendo os filhos em perigo, encontraram força e coragem descomunais para salvá-los, mesmo diante da morte.
Outra coisa é que todas essas histórias são reais, estão registradas nas páginas do noticiário, mas a última aconteceu comigo. Será que você pode lembrar de algum ato de coragem da sua mãe por você? Quase todas nós temos uma lembrança assim.
Mas há uma história real como essa, de alguém que realizou um ato de extrema coragem, além do limite, mas ela não está registrada nos jornais, e sim nas páginas da Escritura. Foi alguém que intercedeu por nós com a sua vida e com a sua morte, que, vendo-nos, não somente prestes a morrer, mas mortos em nossos pecados, nos resgatou e morreu em nosso lugar, e, antes de entregar sua vida em favor dos Seus, intercedeu por nós através da oração. Vamos nos assentar aos pés de Jesus agora e ouvir o que Ele tem para nos ensinar sobre interceder por aqueles que amamos.
Você pode abrir sua Bíblia e ler em João 17:1-12?
Quando nossos filhos são bebezinhos, nosso maior anseio é ouvir a palavra “mamãe”. É muito bom ouvir daquela boquinha pequenina, daquela língua enrolada, pronunciar “mamãe”, não é? Depois desanda. Eles aprendem que podem conseguir muitas coisas com essa palavra, e passamos a ouvir o dia inteiro “mamãe!”, e essa palavra começa a perder o encanto, e a gente começa a revirar os olhos depois de ouvi-la umas cem vezes.
Eu devo dizer que o relacionamento com a nossa família expressa e aponta para um relacionamento muito maior, mais perfeito e mais santo: o da família chamada Trindade. O relacionamento do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nessa oração, nós vemos mais claramente expresso o relacionamento do Deus Filho com Deus Pai. Vemos também alguém que nunca se cansa de ouvir seu Filho chamando por Ele. Só no Evangelho de João, a palavra “Pai” ocorre mais de cem vezes e, somente nessa oração do capítulo 17, é encontrada 6 vezes. “Pai” expressa a intimidade que o Filho tem com a Primeira Pessoa da Trindade desde a eternidade. É uma relação que não tem início, são Pai e Filho desde sempre. É uma relação que acontece em toda a vida terrena de Jesus, por toda a sua obra redentora, e, por causa dessa obra redentora, Ele mesmo, como Sumo Sacerdote, oferecendo a Si mesmo como Cordeiro sacrificial, fez com que nós também nos tornássemos sacerdotes.
Desde o início, Deus chamou seu povo para ser um reino de sacerdotes (Êxodo 19:6).
Em I Pedro 2:9, o apóstolo diz: “Vós sois (...) sacerdócio real”, e o apóstolo João diz em Apocalipse 1:6: “e nos constituiu sacerdotes”.
Lutero dizia que todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros.
Os ofícios sacerdotais são propriedade comum de todos os cristãos.
Logo, nós, mães, somos sacerdotes dos nossos filhos.
O sacerdócio é um privilégio, mas também uma responsabilidade; uma posição, mas também um serviço. Então, cientes de que temos um privilégio e uma posição sacerdotal diante dos nossos filhos, qual deve ser a nossa responsabilidade e o nosso serviço? Ou seja, quais são os nossos ofícios como sacerdotes dos nossos filhos?
A mãe como sacerdote deve interceder vivendo uma vida na presença de Deus
Como Jesus, nosso Sumo Sacerdote, falou no versículo 4: “eu te glorifiquei na terra”, nós, mães, devemos viver uma vida de adoração constante. Temos que ter em mente que intercessão não é apenas pedir, é viver uma vida diante do Senhor, uma vida dependente Dele, uma vida que O glorifique.
Nós somos representantes do Senhor na vida dos nossos filhos, e eles estão nos observando. Eles aprendem com a instrução que recebem de nós (isso também é interceder) e com a prática. A maneira como eu vivo também é interceder por eles. Ou seja, interceder não é só um momento do dia em que escolho para dobrar os meus joelhos durante cinco, dez ou trinta minutos (isso é indiscutivelmente importante), mas não é só dobrar os nossos joelhos, é dobrar a nossa vida inteira diante daquele a quem chamamos de Pai.
Nossos filhos têm que ver: em quem eu penso a maior parte do dia? De quem é que eu falo constantemente? Que tipo de músicas preenchem a minha casa? O que eu ando assistindo? O que estou lendo? A quem eu recorro quando preciso? De quem os meus lábios falam com tanto amor? A canção que entra pelos ouvidos dos meus filhos é canção de gratidão pelo que Ele nos deu ou de murmuração pelo que não tenho? O nome do Senhor está sendo santificado nos nossos lares?
Nosso espelho perfeito, Jesus Cristo, foi santo, Cordeiro imaculado, sem pecado. Em Lucas 6:7, os doutores da lei e os fariseus estavam ávidos para achar algum motivo pelo qual pudessem acusar Jesus e jamais puderam achar. No final, tiveram que fazer tudo às pressas e escondidos, pois sabiam que estavam crucificando um inocente.
Irmãs, a Bíblia nos chama a sermos imitadoras de Cristo, a sermos santas como Ele é santo. Em 2 Pedro 3, o apóstolo diz: “empenhai-vos por serdes achados por Ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis”. Só que há um problema: o pecado ainda corre pelas nossas veias. Nós vamos nos cansar. E, no final daquele dia estressante, vamos chorar pelos erros que cometemos, vamos colocar a cabeça no travesseiro, a culpa vai bater e as lágrimas vão rolar. Vamos lembrar da palavra dita na hora errada, ou de ter passado do ponto na correção, por não ter protegido como deveria, por ter nos omitido quando deveríamos ter feito alguma coisa, ou por ter deixado muito tempo na TV, ou por ter deixado comer besteira. Acredito que não é sempre que vamos deitar a cabeça no travesseiro e dizer: “Puxa! Hoje eu fui uma mãe nota 10!”. Enquanto não recebermos nossos corpos incorruptíveis, nós vamos chorar, vamos duvidar, porque somos filhas de Eva, pecadoras.
Então, se não podemos ser exemplo de perfeição, se não podemos apontar para nós mesmas e dizer: “filho, faça como eu”, o que devemos fazer então?
Irmãs, devemos pegar na mão dos nossos filhos e dizer: “vem, filho, vamos juntos fazer como Ele fez, obedecer como Ele obedeceu”. Apontemos para Ele. Elisabeth Elliot disse certa vez: “eu não quero ser exemplo de perfeição, mas de perseverança”.
Devemos perseverar em buscar uma vida de santidade e não se preocupe: quando o Pai olha para nós lá de cima, nesse estado de impotência, as lágrimas dos nossos olhos estão se misturando com o sangue de Cristo. Ele olha para nós, e estamos cobertas com o lençol do sangue que correu lá na cruz do Calvário, e é assim que toda culpa é lavada. Nada mais temos a temer diante de Deus. Ele perdoa os nossos pecados, lança-os para bem longe de nós, nos dá uma nova manhã, renova as Suas misericórdias e renova as nossas forças.
A mãe como sacerdote deve interceder com uma vida servindo a Deus
No versículo 4, Jesus continua sua oração dizendo assim: “eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me deste para fazer”. Ele estava falando de toda a obra que fez na terra. E que obra foi esta? Ele explica no versículo 6: “manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra”.
Irmãs, a obra de Cristo na terra consistiu em pregar aos judeus, dar provas completas de que Ele era o Messias, reunir os discípulos, ensiná-los, dar orientação de despedida. Não havia nada mais a ser feito, a não ser voltar para o Pai.
Aqui Ele está orando pelos discípulos, mas lá na frente vai orar por todos aqueles que creem no Seu nome, ou seja, por nós. Tudo o que Ele fez foi por todos aqueles que são Dele.
Nós também temos uma pequena porção do povo Dele sob nossa tutela: pequenos discípulos, dos quais somos mordomos. São nossos, herança do Senhor. Assim como somos recompensa que o Pai deu para Cristo, nossos filhos são uma recompensa que recebemos do Senhor.
E assim como Cristo é responsável pelos Seus, eu sou responsável pela vida espiritual dos meus filhos. A vida moderna está esgotando o nosso tempo, de modo que terceirizamos muita coisa: a comida é delivery, a faxineira ajuda, meus filhos passam metade do dia ou o dia inteiro na escola. Mas uma coisa não podemos terceirizar: a alma dos nossos filhos diante de Deus.”
“Ah, mas ele vem pra igreja comigo”, é muito pouco, “mas ele vai pra Escola Bíblica Dominical”, o tempo é muito curto.
Cristo deu o exemplo para nós mães, ensinando os que estavam debaixo de Sua santa responsabilidade: ele ensinava, ele era chamado Rabi, mestre. Ele ensinava no templo, ensinava em festa de casamento, ensinava na frente de sepulcro, ensinava no monte, ensinava no barco, ensinava na praia, ensinava caminhando, ensinava assentado, ensinava comendo.
Esse mesmo ofício recebemos bem cedo. Lá em Deuteronômio capítulo 6, versículo 7 diz: “Ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.”
Irmãs isso é tão sério que Jesus não poupou de falar uma palavra muito dura a quem negligencia esse ofício. Mateus 18:6: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.
A Bíblia deve ser aberta constantemente em nosso lar, não como um enfeite ou objeto de superstição, mas as palavras da Escritura devem jorrar da nossa boca para os ouvidos dos nossos filhos a todo momento. Aqui em casa, nós trabalhamos com a memorização das escrituras e toda noite meu esposo recita o Salmo 1 para o meu caçula de 1 ano para ele repetir, então sai mais ou menos assim:
— Bem-aventurado
— ado
—é o homem
— oem
—que não anda
— ana
—segundo
— undo.
Então podemos pensar: “mas tão pequenininho, ele nem entende, será que vale a pena?” Vale, se o Senhor mandou fazer então vale. E não nos preocupemos tanto com a compreensão, pois esse trabalho não é nosso, é do Espírito Santo. Fazer com que desça da cabeça para o coração é tarefa da terceira pessoa da Trindade. Mas a palavra de Deus deve ser amada e venerada em nosso lar, pois ela é inspirada por Deus, útil para ensinar, corrigir, orientar, conduzir à justiça para que sejamos plenamente preparados para toda boa obra. 2 Tm 3:16-17.
E quão maravilhoso será quando virmos o fruto da nossa pregação ao coração dos nossos pequenos discípulos, quando virmos nossos filhos ajoelhados diante da cruz do nosso salvador, compreendendo e reconhecendo que todas as coisas a respeito da maravilhosa história da humanidade: a vinda de Jesus, todo o seu ministério, todas as suas palavras e obras, tudo que Ele fez foi para revelar o amor do Pai ao mundo.
Nossos filhos têm que conhecer esse amor para saber que são amados. Eles tem que entender que são pecadores? Sim. Que necessitam de um salvador? Sim. Muito. Mas só isso a mensagem estará incompleta. Eles tem que entender que são amados mais do que merecem, mais do que podem suportar, mais do que podem compreender, eles tem que ser constrangidos por esse amor. Que nem a altura, nem largura, nem a profundidade do amor do Pai tem limites; que nem a vida, nem a morte, nem os anjos poderão nos afastar de tão grande amor.
Preguemos isso a eles, a fim de que eles saibam que não há ideologia que possa salvá-los, que não há partido político que tenha preceitos, regras suficientes para suas almas, não há líder político nenhum que possa dar a vida por eles. Não há orientação sexual, fama ou aprovação nenhuma que possa preencher o vazio que foi reservado para ser preenchido somente pelo amor do Nosso Deus, a fim que eles saibam que a satisfação deles, a realização deles está em Deus.
Vamos falar de Cristo para os nossos filhos. O mundo já está pregando para eles outro salvador, o diabo anda em derredor procurando tragá-los e eles habitam uma carne inclinada ao pecado. Já há luta demais pela alma dos nossos filhos do outro lado, mas aqui conosco está o Senhor dos Exércitos, e se Deus é por nós, quem será contra nós? Maior é o que está em nós do que o que está no mundo. I João 4:4.
Por último, a mãe como sacerdote deve interceder rogando a Deus.
No versículo 9, Jesus disse: “é por eles que eu rogo…”. Mesmo sendo Deus, onisciente e em íntimo relacionamento com o Pai, Jesus orava constantemente.
É espantoso e maravilhoso saber que, prestes a enfrentar o dia mais terrível da humanidade, diante do terror de carregar os pecados dos Seus, prestes a enfrentar o pior horror que Ele poderia enfrentar, que foi o abandono do seu próprio Pai, do seu Aba, mesmo assim, ele encontrou tempo, força e coragem para orar por mim e por você.
“Pai, é chegada a hora”, ele disse, ainda assim, Hb 4:15 diz que “ele compadeceu-se de nossas fraquezas”, ele nos viu caindo em poço profundo, ele nos viu nos afogando, ele viu as chamas prestes a nos carbonizar para sempre, eles viu os nossos pecados nos esmagando e, por isso, Ele compadeceu-se de nós. Em Hb 7:25 diz que “ele vive para interceder por nós”.
Adivinhem o que Ele está fazendo por nós neste exato momento! Intercedendo por nós à direita do Pai, pensando em nós, levando nossas necessidades ao Pai. Juntamente com o Espírito Santo, Cristo apresenta as nossas necessidades ao trono da Graça. John Frame diz assim: “a consequência disso é a certeza de que o Pai não nos privará de nenhuma coisa boa. Toda a Trindade está do nosso lado.”
Uau! Você não se sente a salvo, irmã? Você não se sente amada e segura? Toda a Trindade está do nosso lado!
Sabendo disso, temos sido as intercessoras que nossos filhos precisam? Não sabemos a hora em que precisaremos levantar um carro (figurativamente), não sabemos a hora em que precisaremos mergulhar em águas profundas para tirar nossos filhos de lá, não sabemos a hora em que teremos que enfrentar homens maus tentando levar nossos filhos, mas uma coisa temos certeza: toda a trindade estará do nosso lado. E temos acesso e liberdade para suplicar ao Pai pelos nossos filhos, rogar por Suas almas. Deus ordena a oração como um meio para mudar a história dos nossos filhos. Há coisas que acontecem por causa da oração e há coisas que não acontecem por falta de oração. Tiago 4.2 diz que se não temos as coisas que precisamos é porque não pedimos e, se pedimos, pedimos mal. O fato é que, dentro dos desígnios de Deus, dentro de Sua vontade, a oração pode mudar o rumo da vida de nossos filhos. Como mãe sacerdotes, podemos e devemos entrar na presença do Santo com ações de graça e com petições. João 16:23 fala que o objetivo da resposta da nossa oração é que nossa alegria seja completa. Não somos só nós que nos alegramos em ver nosso filhos satisfeitos. É bom, não é? Quando vemos as barriguinhas cheias, a gente fica tão feliz. Quando eles estão chupando uma laranja, sorvendo o suco, comendo o bagaço, ficamos tão felizes!Ele folga em ver os Seus filhos satisfeitos. Salmo 104: 31 diz: Exulte o Senhor por Suas obras. Sofonias 3;17 diz: “Ele se regozijará em você com brados de alegria”.
Mas antes disso, a obra que recebemos do Senhor para com os nossos filhos é sacrificial, vai doer, tira o nosso conforto, incomoda. Mas o consolo é que o maior sacrifício já foi feito por Cristo na cruz. Nisto podemos descansar e aprender. O reverendo Paulo Brasil fala assim: “onde uma mãe vai aprender a amar, se não cruz de Cristo?, onde uma mãe vai aprender a se doar, se não cruz do Calvário? Onde mais um filho pode aprender a obediência perfeita, se não na cruz do nosso Salvador? Onde um filho pode aprender a submissão, se não na cruz do Filho de Deus?
E, por causa dessa cruz, nossos filhos podem cair, ficar pressos em chamas, mergulhar em águas perigosas, mas estaremos lá, prontas, cumprindo o nosso sacerdócio para com eles, e não estaremos sozinhas, Cristo estará conosco. Nós estaremos de joelhos e nossos filhos em pé e toda a Trindade estará do nosso lado!




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